Ela achou que tinha superado.
Mas, em uma quinta-feira qualquer, viu uma foto. Um story de onde ele trabalha. Por que ela ainda segue essa empresa? Faz tempo que ela se demitiu e agora não tem vínculo com mais ninguém de lá. Ele era o último vínculo.
Foi um lugar ótimo para se trabalhar. Um dos melhores momentos da vida dela. Às vezes, a saudade batia, uma vontade de voltar... O problema era ele. Por que foi se envolver? Não é a toa que dizem que "onde se ganha o pão, não se come a carne".
Na foto, ele estava sorrindo, parecia feliz. "Que merda! Ele deveria estar sofrendo". As lágrimas de choque caíram pelo seu rosto. Mas era só uma foto corporativa, não dizia muita coisa. A vida segue e algumas pessoas vestem uma máscara para continuar o show. Talvez fosse o caso dele. Mas ela... ela estava vivendo e sentindo cada centímetro da dor.
"Ele pode estar aliviado. Foi ele quem terminou mesmo... Ele deveria estar arrependido". Pensou.
Ela chora mais. Parecia tão injusto. Ela ali, chorando, sofrendo, e ele lá, em um evento empresarial, sendo importante. O cara técnico, rodeado de clientes, de pessoas que o admiram, conversando, rindo. Ela sabia que, no fim do dia, ele acharia tudo aquilo exaustivo. Provavelmente ele não teria paz o dia inteiro e a noite, estaria com dor nas costas e uma enorme vontade de dormir. Ele não teria tempo de pensar nela.
Um gato siamês extremamente gordo esfrega-se em suas pernas e morde delicamente sua canela.
- Eu não quero ele de volta. - Confessa para o gato. - Só quero um pedido de desculpas... Uma confissão... Um arrependimento.
O gato ronrona como se a consolasse e ela desaba a chorar. Ela sabia, assim como eu sei e, agora, você também sabe: ele nunca vai confessar. Ele talvez se arrependa, mas ela nunca terá um pedido de desculpas e é isso que ela precisa aprender a aceitar.
* Texto fictício, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
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